Durante cerimônia de homenagem aos 70 anos da Petrobrás, na última sexta-feira, 06 de outubro, o presidente da empresa, Jean Paul Prates, declarou que não tem mais o que falar sobre o processo de privatização da Refinaria Landulpho Alves (RLAM).
“Não tem nada a falar, porque é um processo finalizado. Dentro da Petrobrás não foi aberto um processo de reanálise de alguma coisa. Estamos trabalhando dentro do nosso plano estratégico com as unidades de refino, trabalhando de forma integrada e aí a gente vai ver qual a oportunidade que surge nisso, agora a gente vai falar que vai comprar alguma coisa, isso já abre um processo todo até de negociação que não existe”, afirmou Prates.
Recentemente, a Petrobrás e o grupo árabe Mubadala Capital assinaram um Memorando de Entendimento (MOU) que permitirá que as duas empresas explorem um possível investimento da Petrobras em um projeto de biocombustível em desenvolvimento pela Mubadala na Bahia.
Acordo da Petrobrás com a Mubadala Capital levanta possibilidade de recompra da RLAM
Valor de gás de cozinha tem aumento de 3,5% na Bahia
Apesar de Prates dizer que não tem mais o que falar sobre a privatização da refinaria baiana, as consequências da venda seguem dando o que falar e mexendo com o bolso dos consumidores.
O valor do gás de cozinha sofreu mais um aumento na Bahia, em outubro. Segundo a Acelen, que administra a RLAM, que abastece o estado, o aumento é de 3,5% do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) para as distribuidoras, que vão repassar o valor para o consumidor final. Esse é o quinto aumento do ano e segundo do mês de outubro. Os aumentos na origem, sem incidência de aumento na distribuição, ocorreram nos meses de fevereiro, março e setembro.
Além do GLP, a Acelen reajustou o preço da gasolina vendida para as distribuidoras em 13,9%, e o Diesel-S10 está 16,1% mais caro.
Precisamos falar sobre a recompra da RLAM
Vendida em 2021 pela Petrobrás, o processo de privatização da RLAM ainda é marcado por denúncias. Indo de encontro com a transparência da gestão pública, a refinaria foi vendida sem licitação e pela metade do seu valor de mercado.
A Refinaria Landulpho Alves foi a primeira refinaria nacional de petróleo. Sua operação impulsionou o desenvolvimento do Polo Petroquímico de Camaçari, o maior complexo industrial do hemisfério sul. A instalação da RLAM foi um importante passo na industrialização da Bahia.
Ainda que o presidente da empresa afirme que está trabalhando de forma integrada, há atores importantes que permitiam uma verdadeira integração do, mas foram privatizados. Com a venda da refinaria, a Petrobrás perdeu um de seus principais ativos. As privatizações deixam o país ainda mais exposto às instabilidades do mercado internacional do petróleo. Além disso, prejudicam a estabilidade da empresa.
A Refinaria baiana tem alto potencial para receber investimentos em pesquisa e tecnologia e ampliar o leque de produtos refinados. Os petroleiros e a AEPET-BA defendem que a RLAM seja reintegrada aos ativos da Petrobrás. Reintegrar a RLAM é reconstruir a Petrobrás, e reconstruir a Petrobrás é reconstruir o Brasil.
Contra o desmantelamento da Petrobrás
Assista o vídeo em que a advogada da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), Raquel Sousa, explica como é possível reverter o desmantelamento da Petrobrás. Veja:
