A Petrobrás iniciou a análise das propostas para contratar os serviços de operação e manutenção das Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados (FAFENs) da Bahia e de Sergipe, sinalizando a retomada das atividades a partir de novembro deste ano.
A AEPET-BA vê com otimismo essa iniciativa, mas ressalta que é fundamental que a estatal reassuma integralmente o controle das unidades, revertendo o processo de desmonte promovido nos últimos anos, especialmente na Bahia.
A unidade baiana, localizada no Polo Petroquímico de Camaçari, teve papel estratégico na produção nacional de ureia, amônia e Arla-32, além de manter infraestrutura importante no Porto de Aratu. Após ser arrendada para a Unigel em 2019, no governo Bolsonaro, a FAFEN-BA foi desmobilizada e seus trabalhadores, muitos com décadas de experiência, foram transferidos compulsoriamente para outros estados.
Agora, com o encerramento do litígio entre a Petrobrás e a Unigel, e com a licitação em curso para os serviços de manutenção, a estatal sinaliza sua reinserção no setor de fertilizantes, considerado estratégico para reduzir a dependência externa e garantir a segurança alimentar do país.
Segundo informações públicas do processo de licitação, foram recebidas pelo menos seis propostas. O processo licitatório recebeu ao menos seis propostas, com valores que ultrapassam a casa dos R$ 999 milhões. A menor delas foi apresentada pela Leap Technologies Manutenção, no valor de R$ 830 milhões, conforme dados públicos da licitação.
Por isso, a AEPET-BA defende que, mais do que retomar as atividades da FAFEN-BA, é fundamental investir na modernização da planta industrial, uma das primeiras a serem instaladas no Polo de Camaçari. Sem um plano consistente de investimentos, a reativação pode se tornar apenas uma estratégia para, posteriormente, justificar sua suposta inviabilidade técnica. Novas perspectivas de geração de energia potencialmente limpa, aliadas à ampliação da capacidade produtiva, são essenciais para garantir a viabilidade técnica, operacional e econômica da unidade.
E tem mais, é preciso reintegrar os trabalhadores da Petrobrás que foram compulsoriamente deslocados, aproveitando o conhecimento técnico acumulado por décadas nessas unidades.
Essa experiência é essencial para garantir a segurança, a eficiência e a soberania tecnológica das plantas.
A tentativa frustrada de industrialização por encomenda com a Unigel, barrada por apontamentos do Tribunal de Contas da União (TCU), mostrou que modelos híbridos e instáveis não garantem segurança nem continuidade.
É urgente que a Petrobrás assuma diretamente a operação das FAFENs, com gás nacional como matéria-prima e trabalhadores próprios como força motriz dessa nova etapa.
A AEPET-BA reafirma seu compromisso com a reconstrução da Petrobrás na Bahia. A reativação da FAFEN-BA é uma oportunidade concreta de retomar uma política industrial que fortaleça o país, gere empregos de qualidade e reduza nossa vulnerabilidade externa. Mas, para isso, é preciso garantir que a Petrobrás seja a protagonista dessa retomada — pública, integrada e com trabalhadores próprios à frente do processo.
A luta pela FAFEN-BA continua.
