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A Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (FAFEN-BA), localizada em Camaçari, avança para a retomada de suas operações, com previsão de início da produção ainda em janeiro, segundo informações divulgadas pela Petrobrás. O anúncio representa um passo importante na reconstrução da política industrial do país e no fortalecimento da produção nacional de fertilizantes.

Atualmente, a unidade encontra-se em fase final de manutenção, com o início do comissionamento das plantas. As equipes técnicas realizam o alinhamento das utilidades essenciais — como nitrogênio, ar comprimido e água de refrigeração — para viabilizar os testes operacionais, garantindo segurança e eficiência no retorno das unidades de processamento.

Um fator decisivo para a retomada foi a formalização do contrato entre a Petrobrás e a Bahiagás para o fornecimento de gás natural, matéria-prima fundamental para a produção de amônia e ureia. O acordo prevê a movimentação de 1,2 milhão de metros cúbicos de gás por dia via duto, assegurando as condições necessárias para o reinício das atividades.

A FAFEN-BA produzirá amônia, ureia perolada e ARLA-32, contando ainda com os terminais marítimos de amônia e ureia localizados no Porto de Aratu, em Candeias. O contrato de operação e manutenção (O&M), firmado com a empresa Engeman por até cinco anos, inclui também esses terminais.

Para a AEPET-BA, a retomada da FAFEN-BA é estratégica para reduzir a dependência externa do Brasil, que hoje importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, além de fortalecer a atividade agropecuária democratizando o acesso a insumos agrícolas a pequenos produtores. Além de garantir uma destinação rentável ao gás natural produzido no país. No entanto, a entidade alerta que não basta apenas religar os equipamentos.

Inaugurada em 1971, a FAFEN-BA foi a primeira indústria do Polo Petroquímico de Camaçari e desempenhou, ao longo de décadas, papel fundamental para a economia baiana e para a soberania nacional. Por se tratar de uma das plantas mais antigas do Polo, a AEPET-BA defende que a retomada esteja acompanhada de um amplo processo de modernização tecnológica, com investimentos consistentes em inovação e atualização industrial. Sem isso, há o risco de que a reabertura seja apenas temporária, abrindo espaço para novos discursos de inviabilidade no futuro.

Além da modernização, a AEPET-BA reivindica que a reativação da FAFEN-BA esteja comprometida com:

  • o uso prioritário do gás natural nacional como insumo;
  • a reintegração dos trabalhadores e trabalhadoras da Petrobrás, deslocados para outros estados após o arrendamento da fábrica em 2019;
  • a gestão pública da unidade, com trabalhadores próprios, assegurando segurança operacional, contratos justos e estabilidade;
  • uma política industrial soberana, que coloque a Petrobrás a serviço do desenvolvimento do país e do povo brasileiro.

A entidade também defende que petroleiros e petroleiras tenham prioridade no retorno à Bahia, restabelecendo vínculos familiares e contribuindo com sua experiência acumulada para o fortalecimento da indústria de fertilizantes no estado.

“A FAFEN-BA é estratégica para a economia regional e para a soberania nacional. Defendemos que a Petrobrás traga de volta seus trabalhadores, assegurando a reconstrução da empresa na Bahia com empregos de qualidade e valorização da mão de obra petroleira”, afirma o presidente da AEPET-BA, Marcos André.

Para a AEPET-BA, a FAFEN-BA precisa voltar a operar com força total: pública, moderna, eficiente e integrada ao Sistema Petrobrás. Só assim será possível garantir empregos de qualidade, reduzir a dependência externa, fortalecer a economia regional e avançar rumo à autossuficiência brasileira em insumos estratégicos para a agricultura.

 


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