Os baianos reagiram com indignação e revolta ao anúncio da Petrobrás de colocar à venda ativos importantes na área de Exploração e Produção (E&P), no estado. A proposta do governo Jair Bolsonaro concretiza o projeto de destruir a empresa, no berço da exploração de petróleo e gás, acelerando o processo de privatização e desmonte das unidades na Bahia. Os impactos para o estado serão irreversíveis nos investimentos, empregos, royalties, impostos e negócios em geral.

Foi na Bahia que jorrou petróleo pela primeira vez, em 1939, com a descoberta do poço de Lobato em Salvador; surgiu o primeiro campo comercial, em Candeias, em 1941; e onde foi instalada a primeira refinaria nacional: Landulpho Alves, em São Francisco do Conde, em 1950. Nessa longa luta pela autossuficiência e pelo desenvolvimento econômico e social, a Bahia sempre foi o berço da luta nacionalista pelo controle da matriz energética. Entretanto, o governo Jair Bolsonaro quer privatizar e destruir a Petrobrás na Bahia e no Brasil.

Depois de anunciar a hibernação e posterior arrendamento da Fafen-BA a uma empresa privada; colocar à venda a fábrica de biodiesel; a RLAM e a Transpetro; desativar o escritório e toda a área administrativa da Torre Pituba; a Petrobrás divulgou o teaser do Polo Bahia Terra, no dia 04/11, destruindo o que restava da Unidade de Operações (UO-BA).

A quem interessa essa nefasta política neoliberal que está sendo derrotada no mundo inteiro, mas que ainda tem seus defensores no governo Bolsonaro?

A Petrobrás sangra a Bahia com a venda do patrimônio construído com suor e sangue pelo dedicado corpo técnico, que dedicou sua vida à empresa e agora assiste sua completa destruição.

Com o fim da Petrobrás, a economia no estado deverá encolher cerca de 24%, segundo estimativa da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), em estudo divulgado em março deste ano. Pelos dados do órgão, a estatal responde diretamente por 11,3%, da produção e indiretamente por 12,7%, de tudo que é produzido na Bahia.

Os efeitos também serão sentidos na geração de empregos. A indústria do petróleo tem grande participação na geração de postos de trabalho. Estudo divulgado pela ANP, em 2017, apontou que para cada emprego direto na indústria de petróleo e gás estimavam–se 9 empregos indiretos e 37 empregos relacionados ao efeito-renda. Em 2009, a Bahia experimentou um pico de cerca de 10 mil empregos diretos no setor.

Em Salvador, de acordo com a SEI, com a desocupação da Torre Bahia (EDIBA) e da fuga de renda provocada pela migração dos trabalhadores petroleiros, estima-se uma redução de R$ 382 milhões como rendimentos dos 1.553 trabalhadores, alocados nas Classificação Nacional das Atividades Econômicas (CNAEs). Este valor representa 0,24%, de toda a demanda final na economia baiana.

A arrecadação no estado e nos municípios baianos por royalties também diminuirá com o fim da atividade de extração e produção de petróleo e gás. A ANP estimou, em 2017, recebimentos em torno de R$ 221,9 milhões com os royalties e participações pagos à Bahia. O auge do pagamento ocorreu em 2014, quando foram pagos R$ 616,7 milhões.

A AEPET-BA repudia veementemente a privatização e destruição da Petrobrás e convoca todos os seus associados e associadas a manifestarem sua indignação. Não podemos assistir passivamente à destruição do sonho da conquista da nossa soberania, do nosso desenvolvimento tecnológico econômico e social que sempre foi inspiração de cada trabalhador da Petrobrás. Precisamos reunir as entidades que defendem a Petrobrás, os petroleiros ativos e aposentados e toda a sociedade para dizer não à privatização do patrimônio nacional na Bahia, no Nordeste e no Brasil. Defender a Petrobrás é defender o patrimônio do povo brasileiro.

O desmonte da UO-BA

O “negócio da China” oferecido pela Petrobrás no teaser do Polo Bahia inclui 28 concessões de produção terrestres, localizadas em diferentes municípios da Bahia, além de incluir acesso à infraestrutura de processamento, logística, armazenamento, transporte e escoamento de petróleo e gás natural.  São cerca de 1.700 poços em operação, 19 estações coletoras, 12 pontos de coleta, 2 estações de tratamento de óleo, 6 estações coletoras e compressoras, 4 estações de injeção de água, aproximadamente 980 km de gasodutos e oleodutos. As bases administrativas de Taquipe, Santiago, Buracica, Araçás e Fazenda Bálsamo.

Também fazem parte do Polo Bahia Terra dois parques de estocagem e movimentação de petróleo com toda a infraestrutura de recebimento, armazenamento e escoamento do petróleo para a Refinaria Landulpho Alves (RLAM), que também está à venda. Além disso, o Polo contempla a UPGN de Catu e 10 subestações elétricas.

Veja aqui o teaser do Polo Bahia que privatiza a UO-BA