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Os consumidores baianos foram surpreendidos nesta quinta-feira (5) com um novo aumento nos combustíveis. A empresa Acelen, que administra a Refinaria Landulpho Alves (RLAM) desde sua privatização em 2021, reajustou os preços da gasolina e do diesel, elevando ainda mais o custo para motoristas e para toda a cadeia produtiva do estado.

De acordo com o economista do Ibeps e da AEPET-BA, Eric Gil, o aumento foi significativo: a gasolina subiu R$ 0,30, cerca de 12%, ficando aproximadamente 10% mais cara do que a gasolina vendida pela Petrobrás. Já o diesel S-10 teve reajuste de R$ 0,90, um salto de 27%, ficando 28% mais caro que o combustível comercializado pela Companhia.

Em comparação com o estado vizinho de Pernambuco, o diesel vendido na Bahia chega a custar R$ 1,00 a mais por litro.

Impactos diretos nos consumidores

O aumento da gasolina comum já chegou também às bombas em diversas cidades baianas. Em Salvador, consumidores encontram valores próximos entre R$ 6,79 e R$ 6,99 por litro.

O motorista encontra nas bombas o diesel s10 por R$ 4,18 e diesel tipo s500 em R$ 4,08

Como cerca de 90% do combustível comercializado na Bahia tem origem na RLAM, qualquer reajuste praticado pela refinaria impacta diretamente o mercado regional. O problema é agravado pelo modelo adotado após a privatização: a Acelen passou a definir os preços com base na paridade internacional, acompanhando a cotação do petróleo no mercado global e o câmbio do dólar.

A situação se agravou após que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã e provocaram o aumento do petróleo.

Enquanto isso, a Petrobrás vem praticando valores abaixo da Paridade de Importação (PPI), o que explica por que os combustíveis da refinaria privatizada podem ficar significativamente mais caros que os vendidos pela estatal.

Privatização criou monopólio regional

Para a AEPET-BA, os reajustes são mais uma demonstração dos prejuízos provocados pela privatização da RLAM. O presidente da entidade, Marcos André, alerta que a venda da refinaria substituiu um modelo público orientado pelo interesse nacional por um monopólio privado voltado exclusivamente ao lucro.

Segundo ele, a fragmentação do sistema de refino brasileiro abriu espaço para monopólios regionais que penalizam os consumidores.

“Privatizar faz mal ao Brasil. A venda fatiada das refinarias, como ocorreu com a nossa Refinaria Landulpho Alves, substituiu um monopólio estatal voltado ao interesse nacional por um monopólio regional cujo único objetivo é o lucro”, afirmou.

Efeito em cadeia na economia

O aumento dos combustíveis não afeta apenas motoristas. Como gasolina e diesel estão presentes no transporte de mercadorias e insumos, a alta tende a provocar efeito inflacionário, elevando custos em diversos setores da economia.

Além disso, especialistas apontam que o cenário internacional, marcado por tensões geopolíticas e oscilações no mercado de petróleo, aumenta a volatilidade dos preços quando refinarias operam estritamente por regras de mercado.

Defesa do retorno da refinaria à Petrobrás

Diante desse cenário, a AEPET-BA reafirma a necessidade de rever a privatização da RLAM e defende o retorno da refinaria ao controle da Petrobrás.

Para a entidade, a presença da estatal no refino garante maior estabilidade de preços e permite que a política energética esteja alinhada ao interesse público, e não apenas às oscilações do mercado internacional.

A associação também destaca que a luta pela reconstrução da Petrobrás na Bahia passa pela recuperação de ativos estratégicos, como a Refinaria Landulpho Alves, considerada fundamental para a soberania energética e para a proteção dos consumidores baianos.

 


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