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Dois acidentes recentes em unidades ligadas à Petrobrás voltaram a acender o alerta sobre as condições de segurança no Sistema Petrobrás, envolvendo tanto operações offshore quanto atividades em refinarias

No dia 2 de maio, um trabalhador morreu após cair de uma altura de cerca de 70 metros na sonda Deepwater Aquila (NS-60), que opera no Campo de Jubarte, no Espírito Santo. A unidade é operada pela empresa Transocean, a serviço da Petrobrás. O acidente ocorreu durante atividades de perfuração, uma das mais complexas e arriscadas da indústria do petróleo.

A Petrobrás informou que as atividades foram imediatamente interrompidas e que uma comissão de investigação foi instaurada para apurar as causas do acidente, com participação do Sindipetro-ES, conforme previsto em acordo coletivo. Entidades sindicais cobram transparência, responsabilização e, sobretudo, medidas efetivas que garantam a integridade dos trabalhadores.

Trabalhador teve perna amputada

Já no dia 27 de abril, um trabalhador terceirizado sofreu um grave acidente na Usina Fotovoltaica da Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim (MG), durante movimentação de carga. Após agravamento do quadro, a vítima teve uma das pernas amputadas. O caso ocorreu justamente no Dia Nacional em Memória às Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, o que intensificou a repercussão e a indignação entre trabalhadores e entidades sindicais.

O Sindipetro-MG destacou que o episódio evidencia contradições entre os resultados operacionais e as condições de segurança. A entidade também relembrou outros acidentes recentes na unidade, indicando que os problemas não são pontuais, mas parte de um quadro que exige mudanças estruturais.

Os dois casos reforçam preocupações históricas sobre a terceirização e a pressão por produtividade no setor, fatores frequentemente apontados por especialistas e sindicatos como elementos que podem impactar negativamente a segurança. Para as entidades representativas dos trabalhadores, é fundamental que a Petrobrás e as empresas contratadas priorizem a vida acima de metas operacionais.

A AEPET-BA se solidariza com a família dos companheiros que morreu no Espírito Santo e manifesta condolências à família e amigos. Para a entidade, episódios como esses evidenciam a importância de garantir condições adequadas de trabalho e de SMS, além de valorizar os trabalhadores do setor petróleo. Em uma indústria de alto risco, a prevenção deve ser tratada como prioridade absoluta, com investimentos contínuos, fiscalização rigorosa e compromisso efetivo com a vida.

As investigações sobre os acidentes seguem em andamento, e a expectativa é que seus resultados contribuam não apenas para esclarecer responsabilidades, mas para evitar que novas tragédias voltem a ocorrer.


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