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A retomada das operações da FAFEN-BA, em Camaçari, marca um passo importante para a reconstrução da indústria nacional de fertilizantes e para o fortalecimento da soberania produtiva brasileira

A reativação Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (FAFEN-BA) foi celebrada durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à fábrica, nesta quinta-feira (14), ao lado da presidente da Petrobrás, Magda Chambriard, ministros e do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues.

Com investimento de R$ 100 milhões, a FAFEN-BA já opera com cerca de 90% da capacidade total, produzindo diariamente 1,3 mil toneladas de ureia e 1,3 mil toneladas de amônia, além de ARLA 32. A unidade atende aproximadamente 5% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados, considerados estratégicos para o agronegócio e para a segurança alimentar do país.

A retomada integra o plano da Petrobrás de ampliar a produção nacional de fertilizantes. Segundo a companhia, com a reativação das unidades da Bahia, Sergipe e Paraná, além da conclusão da UFN-III, em Mato Grosso do Sul, o Brasil poderá atender até 35% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados com produção própria.

Atualmente, o país importa entre 85% e 90% dos fertilizantes que consome, cenário que expõe o Brasil à instabilidade internacional e à volatilidade dos preços globais. Durante o evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a necessidade de fortalecer a indústria nacional e reduzir a dependência externa.

“A FAFEN-BA representa muito mais do que a retomada de uma fábrica. É a recuperação da capacidade do Brasil de produzir insumos estratégicos para sua agricultura, gerar empregos qualificados e fortalecer sua soberania”, avaliou o presidente da AEPET-BA, Marcos André.

Entretanto, Marcos explica que a reabertura mediante contrato terceirizado O&M (Operação e Manutenção), vai possibilitar que o conhecimento técnico deixe de estar nas mãos dos empregados próprios e fique com a empresa prestadora de serviço.

A AEPET-BA ressalta, no entanto, que a reconstrução da FAFEN-BA precisa ir além da simples reativação operacional. A entidade defende que a unidade volte a operar plenamente integrada ao Sistema Petrobrás, com gestão pública, valorização dos trabalhadores próprios e fortalecimento da segurança operacional, evitando a ampliação da terceirização nas atividades-fim da companhia.

Segundo a entidade, o modelo de contrato de Operação e Manutenção (O&M) é resultado das mudanças promovidas pela reforma trabalhista aprovada durante o governo Michel Temer, que ampliou a possibilidade de terceirização das atividades-fim. Para a AEPET-BA, é fundamental reverter esse modelo no setor petrolífero, assegurando que a FAFEN-BA opere com trabalhadores próprios da Petrobrás, preservando direitos, experiência técnica e melhores condições de trabalho.

É necessária a reintegração dos trabalhadores e trabalhadoras da Petrobrás que foram transferidos para outros estados após o arrendamento da fábrica, em 2019. Para a entidade, os petroleiros devem ter prioridade no retorno à Bahia, restabelecendo vínculos familiares e contribuindo com sua experiência acumulada para o fortalecimento da indústria de fertilizantes no estado.

“A FAFEN-BA é estratégica para a economia regional e para a soberania nacional. Defendemos que a Petrobrás traga de volta seus trabalhadores, assegurando a reconstrução da empresa na Bahia com empregos de qualidade e valorização da mão de obra petroleira”, afirmou Marcos André.

A AEPET-BA também alerta que a terceirização pode comprometer a segurança operacional, as condições de trabalho e a continuidade técnica da planta. Por isso, a entidade defende que a fábrica opere com trabalhadores próprios da Petrobrás, garantindo contratos justos, estabilidade e maior controle operacional.

Modernização e política industrial soberana

Inaugurada em 1971, a FAFEN-BA foi a primeira indústria do Polo Petroquímico de Camaçari e teve papel decisivo no desenvolvimento industrial da Bahia. Por ser uma das plantas mais antigas do complexo, a AEPET-BA considera fundamental que a retomada venha acompanhada de um amplo processo de modernização tecnológica.

Segundo a entidade, sem investimentos consistentes em inovação, atualização industrial e eficiência operacional, existe o risco de que futuramente voltem discursos sobre suposta inviabilidade da unidade.

Entre as principais reivindicações defendidas pela AEPET-BA estão:

  • uso prioritário do gás natural nacional como insumo;
  • reintegração dos trabalhadores próprios da Petrobrás;
  • gestão pública da unidade, evitando terceirizações excessivas;
  • modernização tecnológica da planta;
  • fortalecimento de uma política industrial soberana, com a Petrobrás a serviço do desenvolvimento nacional.

Para a associação, a FAFEN-BA precisa operar com força total: pública, moderna, eficiente e integrada ao Sistema Petrobrás. A entidade avalia que somente assim será possível reduzir a dependência externa, fortalecer a economia regional, gerar empregos de qualidade e avançar rumo à autossuficiência brasileira em insumos estratégicos para a agricultura.

Fontes: Agência Brasil e Agência Petrobras

 


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