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A Bahia teve papel decisivo na reeleição de Lula. Agora, é preciso transformar a força demonstrada nas urnas em participação permanente na defesa dos direitos dos trabalhadores, da soberania nacional e da reconstrução da Petrobrás pública.

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para um novo mandato à frente da Presidência da República, com 51,79% dos votos válidos, representa a continuidade de um projeto político que coloca em debate o papel do Estado, as políticas sociais, os direitos dos trabalhadores e o patrimônio público brasileiro.

A vitória, conquistada depois de terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL), demonstrou a capacidade de mobilização de milhões de eleitores que decidiram os rumos do país. Conforme noticiado pelo Brasil 247, Lula obteve mais de 64 milhões de votos e reverteu a vantagem do adversário na etapa decisiva.

A Bahia teve participação expressiva nesse resultado. Lula conquistou 71,3% dos votos válidos no estado, ampliando sua votação em mais de 820 mil votos entre o primeiro e o segundo turnos, segundo os números apresentados nesta apuração. O resultado evidencia a importância do eleitorado baiano na disputa nacional e reforça a expectativa de que as demandas históricas do povo da Bahia sejam contempladas pelo novo governo.

Entretanto, a votação também foi marcada por graves dificuldades de deslocamento de eleitores. Em Salvador, a redução da frota de ônibus provocou filas, esperas e incertezas para quem precisava chegar às urnas. O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou o restabelecimento integral do serviço, diante das denúncias de veículos retidos nas garagens. Houve também reclamações sobre a demora no sistema Ferry-Boat.

Os episódios levantam uma questão fundamental: o direito ao voto precisa ser garantido na prática, com condições efetivas de acesso aos locais de votação. Impedir ou dificultar esse acesso, por ação ou omissão, compromete o exercício da cidadania e exige apuração rigorosa e responsabilização, caso sejam confirmadas irregularidades.

A vitória nas urnas não elimina os obstáculos políticos. Lula terá de governar em um cenário de forte oposição no Congresso Nacional, onde as forças de direita e os defensores de uma agenda liberal mantêm presença expressiva. A negociação parlamentar será necessária, mas não poderá significar abandono dos compromissos assumidos com a população.

A defesa dos direitos trabalhistas, dos serviços públicos, da redução das desigualdades e do patrimônio nacional exigirá disposição política e participação popular organizada. Não basta votar a cada quatro anos: é preciso acompanhar as decisões do governo, fiscalizar os parlamentares, cobrar compromissos e mobilizar a sociedade sempre que direitos e conquistas estiverem ameaçados.

Para a categoria petroleira, os desafios são igualmente importantes. A reconstrução da Petrobrás precisa avançar para além dos discursos, recuperando a capacidade de investimento, a integração da empresa, a geração de empregos qualificados e seu papel estratégico no desenvolvimento nacional.

Na Bahia, essa agenda passa pela recuperação dos ativos privatizados, pela valorização dos trabalhadores e trabalhadoras e pela retomada de uma política energética comprometida com os interesses da população. A reestatização da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), privatizada em 2021 e atualmente denominada Refinaria de Mataripe, deve permanecer entre as principais reivindicações da sociedade baiana.

A experiência da privatização precisa ser debatida à luz de seus efeitos sobre os preços dos combustíveis, o abastecimento, a economia regional e a soberania energética.

A AEPET-BA reafirma que a luta por uma Petrobrás pública, integrada e comprometida com o desenvolvimento do Brasil e da Bahia depende também da organização da categoria petroleira. É fundamental fortalecer a unidade dos trabalhadores da ativa, aposentados e pensionistas, ampliar o diálogo com os movimentos sociais e sindicais e levar à sociedade informações sobre a importância estratégica da empresa.

A defesa da RLAM pública não é uma pauta restrita aos petroleiros: envolve o custo de vida, a atividade econômica, a geração de empregos e a capacidade do país de decidir os rumos de sua política energética.

A eleição passou, mas a responsabilidade coletiva permanece. Os milhões de brasileiros que foram às urnas e contribuíram para esse resultado precisam continuar presentes no debate público, cobrando coerência entre compromissos e ações. O novo mandato deverá responder às expectativas de quem espera melhores condições de vida, trabalho digno, serviços públicos de qualidade e desenvolvimento com distribuição de renda.

A esperança precisa se transformar em participação, organização e luta. Para a AEPET-BA, isso significa manter viva a mobilização em defesa da soberania nacional, dos direitos da categoria petroleira e da reconstrução da Petrobrás na Bahia, com a reestatização da RLAM como reivindicação prioritária. O resultado eleitoral abre uma nova etapa, mas as conquistas dependerão da capacidade de a sociedade permanecer organizada, vigilante e atuante.

A democracia não se encerra na apuração dos votos. Ela se fortalece todos os dias, com participação popular, defesa dos direitos e compromisso com o interesse público.


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