Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, a AEPET-BA convoca petroleiros e petroleiras a participar da votação neste domingo. Mais do que escolher um presidente, o voto representa uma decisão sobre os rumos do Brasil, os direitos da classe trabalhadora, a soberania nacional e o papel das empresas públicas no desenvolvimento do país.
A trajetória da Petrobrás demonstra que as escolhas políticas têm consequências concretas sobre o emprego, a capacidade industrial e o patrimônio público.
Os números revelam a redução da força de trabalho
O comparativo entre 2012, durante o governo da presidenta Dilma Rousseff, e 2022, no governo de Jair Bolsonaro, mostra uma expressiva redução da força de trabalho da Petrobrás. Segundo dados coletados no relatório de Sustentabilidade da Petrobrás, o número de empregados próprios caiu de 85.065 para 45.149, uma redução de 39.916 trabalhadores, equivalente a 47%.
Entre os trabalhadores terceirizados, a queda foi ainda maior: de 360.372 para 105.397, uma redução de 254.975 trabalhadores, ou 71%. Somados empregados próprios e terceirizados, o contingente passou de 445.437 para 150.546 pessoas. São 294.891 trabalhadores a menos, uma redução de aproximadamente 66% em dez anos.
Os dados evidenciam a dimensão da mudança na estrutura de trabalho da companhia. Embora a comparação entre os dois anos não permita atribuir toda a redução exclusivamente às decisões de um governo, ela chama a atenção para os efeitos de políticas de desinvestimento, venda de ativos, desmobilização de atividades e mudanças no modelo de gestão sobre o emprego e a capacidade operacional da empresa.
Petrobrás forte significa mais empregos e desenvolvimento
Uma Petrobrás pública, integrada e comprometida com o desenvolvimento nacional tem potencial para gerar empregos qualificados, estimular a indústria brasileira, ampliar investimentos em pesquisa e inovação e contribuir para a segurança energética. A redução da força de trabalho precisa ser discutida também sob essa perspectiva: a de uma empresa estratégica para o país, cuja atuação ultrapassa os resultados financeiros de curto prazo.
Diante de dois projetos políticos distintos, é fundamental analisar as propostas, o histórico e os compromissos dos candidatos com os direitos trabalhistas, a valorização dos salários, a proteção social, a democracia e o patrimônio público. Privatizações, venda de ativos e enfraquecimento da integração produtiva podem comprometer a capacidade de planejamento do Estado e os efeitos positivos da companhia sobre a economia brasileira.
Na Bahia, a privatização da RLAM é um alerta
A história da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), atual Refinaria de Mataripe, evidencia o que está em jogo. Inaugurada em 1950, em São Francisco do Conde, foi a primeira grande refinaria brasileira e teve papel decisivo na formação da indústria nacional do petróleo. Durante décadas, sua integração ao Sistema Petrobrás contribuiu para movimentar a economia baiana, fortalecer a indústria, impulsionar o Polo Petroquímico de Camaçari e gerar empregos, renda e arrecadação pública.
A privatização, concluída em 2021, durante o governo Bolsonaro, rompeu parte dessa integração e reduziu a capacidade de atuação direta do Estado no mercado regional de combustíveis. Estudos citados no material de referência estimam que os consumidores baianos desembolsaram cerca de R$ 4,40 bilhões a mais em combustíveis desde a privatização. Os efeitos sobre preços, investimentos e cadeias de fornecedores reforçam a importância de discutir o controle público de ativos estratégicos.
Votar pensando no futuro
Reconstruir a presença da Petrobrás na Bahia significa defender novos investimentos em exploração e produção, fortalecer o refino, recuperar cadeias industriais, ampliar a produção de fertilizantes e estimular a pesquisa, a inovação e a transição energética. Significa, também, lutar pela retomada da Refinaria Landulpho Alves ao Sistema Petrobrás, para recuperar a integração produtiva, fortalecer a segurança energética e ampliar a capacidade de planejamento do Estado.
Neste segundo turno, a categoria petroleira tem razões concretas para refletir sobre o significado de cada projeto político. O contraste entre os números da força de trabalho de 2012 e 2022 ajuda a dimensionar o debate sobre o modelo de empresa que o Brasil precisa para o futuro.
A AEPET-BA não declara apoio a nenhum candidato. A entidade convoca os trabalhadores a analisar criticamente as propostas e o histórico de cada projeto político, considerando qual deles é mais compatível com a defesa dos direitos da categoria, o fortalecimento da Petrobrás pública e integrada e a soberania nacional.
Defender a Petrobrás é defender empregos, desenvolvimento, energia e a capacidade do Brasil de decidir seu próprio destino.
Defender a Petrobrás é defender a soberania nacional
