Compartilhe

Mesmo com o aumento da participação feminina no mercado de trabalho, a desigualdade salarial entre homens e mulheres segue elevada no Brasil, realidade que também impacta as trabalhadoras do setor de petróleo e energia.

Dados do 5º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), na segunda-feira (27/04), apontam que as mulheres recebem, em média, 21,3% menos que os homens no setor privado. O índice não apresentou melhora entre 2023 e 2025, apesar do crescimento do emprego feminino no período.

O levantamento analisou cerca de 53 mil empresas com 100 ou mais empregados, comparando os anos de 2023 a 2025. Apesar do avanço na participação feminina, a diferença salarial não diminuiu e segue presente em todos os setores.

Na prática, isso significa que as mulheres recebem, em média, R$ 3.965,94 por mês, enquanto os homens ganham R$ 5.039,68.

Desde 2023 — primeiro ano após a entrada em vigor da Lei de Igualdade Salarial — o emprego feminino cresceu 11%, passando de 7,2 milhões para 8 milhões de trabalhadoras, um aumento de cerca de 800 mil vagas. No entanto, esse avanço não foi acompanhado por maior equidade salarial.

A Lei foi sancionada pelo presidente Lula em julho de 2023 e reforça o direito de homens e mulheres a receberem remuneração igual para trabalho de igual valor, com medidas mais rigorosas para garantir transparência, fiscalização e combate à discriminação no ambiente de trabalho.

O emprego entre mulheres negras foi o que mais cresceu no período, com alta de 29% e a inclusão de cerca de 1 milhão de trabalhadoras. Ainda assim, esse avanço não se traduziu em melhoria proporcional na renda.

Também aumentou o número de empresas com maior presença feminina negra. Os estabelecimentos com pelo menos 10% de mulheres negras somaram 21.759 em 2025, alta de 3,6% em relação a 2023. Ainda assim, a desigualdade de renda permanece estável.

Segundo o levantamento, elas recebem, em média, R$ 3.026,66 — significativamente menos do que mulheres não negras e muito abaixo dos rendimentos dos homens não negros, que concentram os maiores salários.

Impactos econômicos e sociais

A desigualdade salarial tem efeitos diretos na economia e na vida das famílias. Com menor renda, as mulheres — especialmente as negras — enfrentam mais dificuldades de acesso a bens e serviços, além de maior vulnerabilidade social.

Segundo o Ministério do Trabalho, seria necessário um aumento de R$ 95,5 bilhões na renda das mulheres para que houvesse equilíbrio proporcional em relação à sua participação no mercado.

Estudos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que a redução dessa desigualdade poderia gerar impacto positivo significativo na economia brasileira, ampliando o consumo e promovendo desenvolvimento.

Desigualdade também se reflete no setor de petróleo

No setor de petróleo, a desigualdade salarial também se manifesta na menor presença de mulheres negras em cargos estratégicos e de maior remuneração, refletindo um desafio estrutural que combina gênero e raça.

Entretanto, é bom lembrar que na Petrobrás, pela primeira vez na história a alta administração tem mais mulheres do que homens. A Diretoria Executiva da Petrobras passou a ser composta por cinco mulheres, com uma delas ocupando a presidência, de um total de nove membros. Realidade que não se reflete nos cargos de gerência.

Embora a Petrobrás e outras empresas do setor tenham avançado em políticas de diversidade e inclusão, o desafio da equidade salarial e de oportunidades ainda persiste.

Para a AEPET-BA, a valorização das trabalhadoras do setor passa não apenas pela ampliação do acesso ao emprego, mas pela garantia de igualdade salarial, oportunidades de ascensão e condições de trabalho justas.

Garantir igualdade salarial, ampliar a presença feminina em cargos estratégicos e combater discriminações estruturais são passos essenciais para fortalecer não apenas o setor, mas o desenvolvimento do país

Fonte

G1, com dados do Ministério do Trabalho e Emprego (5º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios).

 


Compartilhe