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A presidente da Petrobrás, Magda Chambriard, afirmou que a companhia precisa reduzir custos operacionais e manter “disciplina de capital” para assegurar a continuidade de seu crescimento. A declaração foi feita há duas semanas durante palestra no Clube de Engenharia, no Rio de Janeiro, intitulada “A importância da Petrobras para o Brasil”.

Durante a exposição, Magda destacou o desempenho operacional e financeiro da companhia nos últimos anos, além dos recursos destinados à União, estados e municípios. Segundo ela, a Petrobrás repassou mais de R$ 277,6 bilhões em impostos e royalties.

Ao mesmo tempo, a presidente chamou atenção para o crescimento dos custos operacionais, citando como exemplo as despesas na Bacia de Campos. “Precisamos ter disciplina de capital para a continuidade do sucesso da Petrobrás no futuro”, afirmou.

A necessidade de reduzir custos, entretanto, ganha outra dimensão quando confrontada com os valores destinados aos acionistas. O Plano de Negócios 2026-2030 prevê investimentos de US$ 109 bilhões, dos quais US$ 91 bilhões estão destinados a projetos em implantação e US$ 18 bilhões a projetos em avaliação.

Em 2025, a Petrobrás também manteve elevados pagamentos aos seus acionistas. A própria companhia registrou a destinação de remuneração aos detentores de ações referente ao resultado daquele exercício.

Quem paga a conta da contenção?

Para a AEPET-BA, o debate sobre eficiência e custos não pode ser dissociado da destinação dos recursos gerados pela Petrobrás e dos impactos das decisões da empresa sobre seus trabalhadores, aposentados e pensionistas.

A preocupação também foi levada diretamente à presidente da companhia durante o evento. Um grupo de aposentados e pensionistas acompanhou a palestra e, ao final, Roberto Ribeiro, diretor do Sindipetro-RJ e da FNP, conversou com Magda Chambriard sobre os problemas enfrentados pela categoria, em especial, com os equacionamentos da Petros. Segundo o sindicato, a presidente afirmou novamente que teria pouca margem de ação diante do quadro atual.

O Sindipetro-RJ aponta que aposentados e pensionistas do Sistema Petrobrás já vêm sofrendo os efeitos de perdas de direitos e de poder aquisitivo relacionadas aos Planos de Equacionamento de Déficits (PEDs), além de problemas envolvendo o PPSP-1 e os equacionamentos relacionados à antiga AMS.

Disciplina de capital para quem?

A discussão colocada pela direção da Petrobrás levanta uma questão que, para a AEPET-BA, precisa ser enfrentada de forma transparente: quando a companhia fala em reduzir custos, quais despesas serão efetivamente cortadas e quem será afetado por essas medidas?

A Petrobrás tem anunciado uma estratégia de crescimento, com investimentos de US$ 109 bilhões no período 2026-2030 e previsão de ampliar sua contribuição para a economia brasileira. Segundo a empresa, seus projetos têm potencial para gerar e sustentar 311 mil empregos diretos e indiretos e contribuir com R$ 1,4 trilhão em tributos para municípios, estados e União ao longo dos próximos cinco anos.

Para a AEPET-BA, portanto, o debate sobre “disciplina de capital” não deve se transformar simplesmente em uma política de redução de despesas que recaia sobre trabalhadores, aposentados e pensionistas. É necessário discutir também a política de dividendos, os investimentos estratégicos, a estrutura de custos e o papel da Petrobrás como empresa integrada e patrimônio público.

O desafio é garantir que os recursos gerados pela companhia sejam utilizados para fortalecer a própria Petrobrás, ampliar sua capacidade de investimento, assegurar direitos dos trabalhadores, fim dos PEDs e contribuir para o desenvolvimento e a soberania energética do país.


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