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Por Eric Gil Dantas*

A Petrobras divulgou na semana passada o seu Relatório de Produção e Vendas para o 2º trimestre de 2026. Nele tivemos dois recordes históricos. A produção total de óleo, LGN e gás natural chegou a 3,34 milhões de boed (barris de óleo equivalente por dia), alta de 14,1% sobre o mesmo trimestre de 2025. No refino, o Fator de Utilização das refinarias (FUT) atingiu 101,2%, superando o recorde anterior de 2014. Como consequência disto, também tivemos um crescimento da produção de derivados – em resposta às dificuldades do mercado internacional após o início da guerra travada por EUA e Israel contra o Irã –, com aumento de 11% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Búzios e Mero puxam produção de óleo e gás

O epicentro do crescimento é o campo de Búzios, na Bacia de Santos. A P-79, oitava plataforma do campo, entrou em produção em 1º de maio, três meses antes do previsto, com capacidade para 180 mil barris por dia. Em ramp-up, a P-78 e a P-79 impulsionaram a produção de Búzios, que alcançou novo recorde no fim de junho e registrou seu primeiro mês com média superior a 1 milhão de bpd. O FPSO Almirante Tamandaré também se destacou ao produzir 253 mil bpd em junho, tornando-se a plataforma de maior produção do país. Em Mero, o ramp-up do FPSO Alexandre de Gusmão contribuiu para elevar a produção do campo para cerca de 740 mil bpd no trimestre. Os demais ativos da Bacia de Santos – Tupi, Sépia, Atapu, Itapu, Sapinhoá e Berbigão – seguem respondendo por mais de 1,5 milhão de bpd. Na Bacia de Campos, a tendência de declínio foi revertida com o ramp-up do FPSO Maria Quitéria, em Jubarte, e a revitalização de ativos, elevando a produção de óleo para 559 mil bpd, a segunda maior desde o fim de 2023. No total, o pré-sal produziu 2,3 milhões de bpd de petróleo, alta de 5% frente ao primeiro trimestre, impulsionada pela entrada em operação e interligação de novos poços.

Como podemos ver no gráfico abaixo, isto gerou a maior produção de petróleo e gás da história da companhia. Se compararmos com o 3º trimestre de 2008, quando se iniciou a extração do Pré-sal, a produção cresceu 37%.

Refinarias operaram acima da carga de referência

No refino, o FUT de 101,2% superou o recorde histórico de 2014 – e em abril e maio o parque operou a 102,5%. A produção de derivados atingiu 1.918 mil bpd, alta de 5,6% sobre o 1T26 e de 10,9% sobre o 2T25, com recordes espalhados pelo país: a REPLAN produziu 128 mil bpd de diesel S10, a RNEST 80 mil e a REPAR 50 mil, enquanto a REFAP bateu seu recorde de gasolina, com 54 mil bpd. No semestre, a REDUC registrou marca histórica de diesel S10, e a REVAP avançou nos testes de SAF.

Essa produção serviu para substituir importações em um mundo sob guerra. Tivemos o menor volume trimestral de importação de derivados da série (67 mil bpd), com queda de 85% na importação de diesel em um ano. A importação de petróleo caiu a 89 mil bpd, o menor nível desde a pandemia, e as exportações de óleo se aproximaram de 1 milhão de bpd. Em plena instabilidade internacional, a produção própria de diesel foi suficiente para sustentar os compromissos da companhia – demonstração prática do valor de uma empresa integrada e com investimentos no refino.

Ainda assim, tivemos uma produção menor do que a registrada no período entre 2011 e 2016, por conta da privatização de uma das maiores refinarias do país, a RLAM.

Aspectos regionais do aumento de produção

Como podemos ver no Mapa 1, o aumento de produção de petróleo e gás veio principalmente do Pré-sal, beneficiando Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, estados confrontantes às Bacias de Santos e de Campos.

O crescimento se refletiu diretamente na arrecadação de royalties: no 2º trimestre de 2026, os estados receberam R$ 5,82 bilhões, alta de 42,7% sobre o 2T25. O crescimento foi maior justamente onde a produção mais avançou: o Espírito Santo, beneficiado pela reversão da queda em Jubarte, quase dobrou sua arrecadação (+98,6%); São Paulo cresceu 52,9%; e o Rio de Janeiro, maior beneficiário em valor absoluto, avançou 41,9%. No acumulado do ano até julho, os estados já receberam R$ 11,86 bilhões, 21,8% a mais que no mesmo período de 2025.

Mas nem todo esse salto vem do volume extra de óleo e gás. Assim como no caso das refinarias, aqui também pesa a guerra: o Brent saltou de uma média de US$ 68,07 o barril no 2T25 para US$ 102,63 no 2T26, alta de 51% – maior até que a alta dos royalties no período. Como o cálculo dos royalties usa o preço de referência do petróleo, atrelado ao Brent, parte relevante do aumento arrecadado é efeito-preço, puxado pela guerra, e não puramente efeito-produção: os 14,1% de alta na produção total da Petrobras explicam uma fração do salto, mas é a combinação com o petróleo internacional em patamar elevado que faz a arrecadação crescer mais rápido que a extração em si.

* Eric Gil Dantas é economista do Ibeps e da AEPET-BA

Divulgado no site do Sindipetro SJC


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