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Com a privatização da RLAM, no governo Bolsonaro, a Acelen cobra caro pela gasolina, pelo diesel e pelo gás de cozinha

A antiga Refinaria Landulpho Alves completou 76 anos, mas o aniversário da primeira grande refinaria do Brasil expõe uma contradição que pesa diretamente no bolso dos baianos: a Bahia possui uma das maiores e mais estratégicas refinarias do país, mas continua pagando mais caro pelos combustíveis e pelo gás de cozinha.

Privatizada em 2021, durante o governo Bolsonaro, a RLAM que é administrada pela Acelen só tem aumentado os preços desde então.

Só em 2026, segundo levantamento realizado pelo economista Eric Gil Dantas, do Ibeps e da AEPET-BA, mostra que, mesmo após uma sequência de cortes promovidos pela Acelen, os preços praticados pela Refinaria de Mataripe continuam significativamente acima dos valores da Petrobrás.

Em 14 de setembro, a gasolina vendida pela Petrobrás custava R$ 2,61 por litro, enquanto na Acelen chegava a R$ 3,80 — uma diferença de 45,6%.

No diesel S-10, a diferença era ainda maior: R$ 3,30 na Petrobrás contra R$ 5,31 na Acelen, ou 61,0% a mais.

No gás de cozinha, o contraste também é expressivo. O botijão de 13 quilos custava R$ 34,70 na Petrobrás e R$ 47,36 na Acelen, uma diferença de 36,5%, ou R$ 12,66 a mais por botijão.

E não se trata de uma fotografia isolada. Na média dos últimos 12 meses analisados, a Acelen cobrou 22,7% a mais pela gasolina, 29,4% a mais pelo diesel e 35,2% a mais pelo GLP em comparação com a Petrobrás.

“É o preço internacional”? Os números não confirmam

A Acelen costuma justificar sua política de preços com base nas condições do mercado internacional. Mas o levantamento de Eric Gil também comparou os preços praticados pela refinaria com o Preço de Paridade de Importação (PPI) calculado pela ANP.

Nas últimas 78 semanas analisadas, a Acelen cobrou pelo GLP acima da paridade de importação em 94,9% das semanas, com diferença média de 30,0%.

Na gasolina, ficou acima do PPI em 78,2% das semanas, com diferença média de 5,6%. No diesel, esteve acima em 56,4% das semanas, mas com diferença média praticamente nula (-0,1%).

A pergunta, portanto, é inevitável: se uma refinaria localizada na Bahia consegue vender derivados acima do preço da Petrobrás e, em alguns casos, até acima do que custaria importar o combustível pronto, quem está ganhando com a privatização?

Um monopólio privado no lugar do monopólio estatal

Outro dado desmonta a ideia de que a privatização teria criado concorrência. Segundo a ANP, nos primeiros sete meses de 2026, a Refinaria de Mataripe respondeu por 81,5% da gasolina, 100% do diesel S-10 e 97,1% do GLP entregues às distribuidoras na Bahia.

Na prática, a Bahia deixou de ter o controle público de uma refinaria estratégica sem ganhar um mercado efetivamente concorrencial. Saiu o monopólio estatal e entrou um monopólio privado. E quem sofre com isso é o consumidor.

Entre novembro de 2021, mês anterior à privatização, e julho de 2026, o preço médio de revenda do GLP aumentou 22,6% na Bahia, contra 8,9% em Pernambuco, estado vizinho que manteve sua refinaria sob controle da Petrobrás, e 10,7% na média nacional. Antes da privatização, Bahia e Pernambuco tinham preços médios semelhantes; depois, a Bahia passou a pagar 12,6% a mais que Pernambuco.

Reestatizar é defender o consumidor baiano

Para o presidente da AEPET-BA, Marcos André dos Santos, os números reforçam uma conclusão que a entidade vem defendendo desde a privatização: a Refinaria de Mataripe precisa voltar para a Petrobrás.

“A experiência desses quase cinco anos mostra que a privatização não trouxe concorrência nem preços mais baixos para a Bahia. Ao contrário: entregamos um patrimônio estratégico e continuamos dependentes dele para praticamente todo o diesel S-10 e quase todo o gás de cozinha consumido no estado. A reestatização da RLAM é uma necessidade para garantir preços mais justos, segurança energética e desenvolvimento para os baianos”, reivindica Marcos André.

A possibilidade de retomada do ativo pela Petrobrás voltou ao debate em 2026. Em abril, a Reuters informou que a estatal havia iniciado conversas preliminares com a Mubadala para uma possível recompra da Refinaria de Mataripe.

Para a AEPET-BA, o aniversário de 76 anos da RLAM deve servir para fazer uma escolha sobre o futuro e voltar a cumprir uma função estratégica para a Bahia e para o Brasil.

Reestatizar a antiga RLAM é recuperar um patrimônio construído pelo povo brasileiro. É também recuperar a possibilidade de uma política de preços que coloque o consumidor, e não o lucro privado, no centro da política de combustíveis.


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