Compartilhe

Faltam poucas semanas para o primeiro turno das Eleições Gerais de 2026, marcado para 4 de outubro. Milhões de brasileiros e brasileiras irão às urnas para escolher presidente da República, governadores, senadores e deputados federais e estaduais.

Em uma eleição marcada pelo debate intenso e pela circulação de informações nas redes sociais, é importante que o eleitor não se limite aos discursos e às promessas de campanha. Conhecer o histórico das decisões políticas, os programas de governo e as propostas para setores estratégicos da economia também faz parte do exercício consciente do voto.

Para a AEPET-BA, um dos temas que merece atenção é o futuro das empresas públicas e, particularmente, o papel da Petrobrás no abastecimento nacional. A experiência da privatização da BR Distribuidora, hoje Vibra Energia, oferece um exemplo concreto para esse debate.

De olho na privatização da BR Distribuidora

Durante décadas, a BR Distribuidora integrou a estrutura da Petrobrás e teve papel relevante na distribuição de combustíveis no país. O processo de desinvestimento começou em 2019 e avançou até a saída da Petrobrás do controle da companhia. Com a privatização, no governo Bolsonaro, em 2021, a empresa passou a ser Vibra Energia.

A companhia privada passou a operar com licença para utilizar determinadas marcas da Petrobrás. O contrato de licenciamento tem vigência até junho de 2029. A permanência da identidade visual associada historicamente à Petrobrás torna ainda mais importante que o consumidor saiba diferenciar a empresa estatal da atual Vibra Energia.

O que mudou para o consumidor?

Um estudo publicado pelo presidente da AEPET, Felipe Coutinho, analisou a evolução dos preços de gasolina e diesel e os efeitos da privatização da BR Distribuidora sobre a dinâmica competitiva do mercado.

Segundo o estudo, a saída da Petrobrás da distribuição reduziu a integração da companhia na cadeia de combustíveis e ocorreu em um mercado no qual as grandes distribuidoras possuem participação significativa. A análise sustenta que a privatização contribuiu para uma elevação das margens de distribuição e para preços finais relativamente maiores em comparação com os preços praticados nas refinarias da Petrobrás.

Acesse aqui o estudo

É importante, entretanto, evitar simplificações: o preço pago pelo consumidor não depende exclusivamente da distribuição. Ele também é influenciado pelo preço do petróleo, câmbio, tributos, custos de produção, transporte, margens de distribuição e revenda e outros fatores.

Por isso, o debate eleitoral precisa considerar toda a cadeia de formação dos preços, e não apenas apontar um único responsável pelas variações observadas nas bombas.

Privatização não é apenas uma questão de patrimônio

Para a AEPET-BA, a discussão sobre privatizações não deve ser reduzida ao valor arrecadado com a venda de um ativo público.

É necessário avaliar também o que acontece depois: quem passa a controlar uma atividade estratégica, quais são os efeitos sobre a concorrência, como ficam os preços, os investimentos, os empregos, a arrecadação pública e a capacidade do Estado de formular políticas para garantir o abastecimento nacional.

No caso da BR Distribuidora, a venda retirou da Petrobrás um importante instrumento de atuação na distribuição de combustíveis e contribuiu para a fragmentação de uma empresa que, historicamente, atuava de forma integrada na cadeia de petróleo e derivados.

Para uma entidade que defende uma Petrobrás pública e integrada, essa experiência deve fazer parte da avaliação dos projetos apresentados nas eleições.

O eleitor precisa olhar além das promessas

Em tempos de redes sociais, vídeos curtos e informações compartilhadas rapidamente, o eleitor deve desconfiar de soluções fáceis para problemas complexos.

Antes de votar, é recomendável:

  • verificar o programa de governo e as propostas apresentadas pelas candidaturas;
  • pesquisar o histórico dos candidatos e de seus partidos ou federações;
  • conferir como cada candidatura se posiciona sobre empresas públicas, privatizações e setores estratégicos;
  • comparar promessas com decisões e votações anteriores, quando houver;
  • procurar dados em fontes oficiais e veículos jornalísticos confiáveis;
  • desconfiar de mensagens alarmistas, números sem fonte e conteúdos fora de contexto;
  • não compartilhar informações eleitorais sem verificar sua origem.

O próprio Tribunal Superior Eleitoral mantém uma série de iniciativas voltadas ao combate à desinformação e à orientação dos eleitores. A propaganda eleitoral na internet está autorizada desde 16 de agosto, mas segue regras específicas, inclusive para combater conteúdos irregulares e desinformação.

Que Petrobrás o Brasil quer para os próximos anos?

A experiência da BR Distribuidora coloca uma questão maior para a sociedade brasileira: qual deve ser o papel da Petrobrás em um país que precisa garantir segurança energética, desenvolvimento econômico e preços compatíveis com a realidade da população?

Para a AEPET-BA, a Petrobrás deve ser compreendida como uma empresa estratégica para o desenvolvimento nacional, com capacidade de atuar de forma integrada na exploração, produção, refino, transporte e distribuição de derivados, além de contribuir para a transição energética.

Esse debate também envolve a Bahia, que sofreu os efeitos da perda de ativos estratégicos da Petrobrás e continua discutindo a retomada de investimentos, empregos e atividades da companhia no estado.

A eleição é, portanto, uma oportunidade para que o cidadão avalie projetos e propostas para o país — inclusive aquelas relacionadas ao patrimônio público e à soberania energética.

No dia 4 de outubro, o voto será do eleitor. Antes de apertar a tecla “confirma”, vale conhecer o que está por trás das promessas, verificar os fatos e avaliar quais projetos apresentam respostas concretas para o futuro do Brasil.


Compartilhe