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Amanhã (28/08), Salvador sediará o lançamento do Comitê Nacional de Lutas pela Reparação Histórica, iniciativa que pretende ampliar a mobilização social em defesa de políticas públicas de reparação e do enfrentamento às desigualdades raciais que permanecem estruturando a sociedade brasileira.

A solenidade acontece às 10h, no Auditório do Anexo da Câmara Municipal de Salvador Emerson José, no Edifício Bahia Center, localizado na Rua Ruy Barbosa, nº 23, Centro. O encontro reunirá organizações, lideranças e cidadãos negros e negras comprometidos com a construção de uma agenda nacional pela reparação histórica.

A criação do Comitê parte do entendimento de que o reconhecimento das consequências da escravidão e do racismo precisa ultrapassar o campo simbólico e se transformar em políticas públicas permanentes, com recursos, participação social e mecanismos efetivos de redução das desigualdades.

Uma das principais bandeiras da nova organização será a criação de um Fundo Nacional de Reparação, destinado a financiar políticas voltadas à promoção da igualdade racial e à superação das desigualdades econômicas, sociais, culturais e políticas que atingem a população negra.

Entre as áreas consideradas prioritárias estão educação, trabalho, saúde, segurança pública, cultura e desenvolvimento comunitário.

Reparação como política pública

Para os integrantes do Comitê, a abolição formal da escravidão não foi suficiente para eliminar as estruturas sociais e econômicas construídas durante séculos de escravização. O racismo e as desigualdades dele decorrentes continuam presentes no acesso à educação, ao mercado de trabalho, à renda, à saúde e aos espaços de poder e decisão.

A violência também permanece como uma das expressões mais graves dessa desigualdade, atingindo de maneira particularmente intensa a juventude negra.

Nesse cenário, o Comitê Nacional de Lutas pela Reparação Histórica pretende atuar na organização da sociedade e na formulação de propostas capazes de transformar o reconhecimento da dívida histórica em direitos, investimentos públicos e oportunidades concretas.

“O lançamento do Comitê é um chamado à organização e à responsabilidade histórica. A reparação não pode ser reduzida a um gesto simbólico. É preciso transformar o reconhecimento da dívida histórica em políticas públicas, recursos e ações capazes de produzir igualdade e ampliar direitos”, afirma o presidente do Instituto Afroamérica Bahia, Marcos André dos Santos.

Salvador como território de resistência

A escolha de Salvador para o lançamento do Comitê possui um significado especial. Capital da Bahia e uma das cidades brasileiras com forte presença da população negra, Salvador carrega na sua história a memória de revoltas, movimentos de resistência e lutas contra a escravização e o racismo.

É nesse território de memória e resistência que o Comitê pretende reafirmar que lembrar aqueles e aquelas que lutaram por liberdade e igualdade também significa assumir as responsabilidades do presente.

A proposta é transformar a memória histórica em mobilização política e social, fortalecendo a luta por uma sociedade em que a igualdade racial deixe de ser apenas um princípio constitucional e passe a ser uma realidade concreta na vida da população.

Durante o lançamento, será realizada a leitura do Manifesto do Comitê Nacional de Lutas pela Reparação Histórica, documento que expressa os princípios, compromissos e reivindicações que orientam a criação da iniciativa.

Leia aqui o documento:

MANIFESTO DE LANÇAMENTO DO COMITÊ NACIONAL DE LUTAS PELA REPARAÇÃO HISTÓRICA


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