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Por Pedro Pinho, presidente da AEPET

“Os dois maiores inimigos da Petrobrás são a desinformação e o preconceito”, Hélio Marcos Pena Beltrão (1916-1997), três vezes ministro, presidente da Petrobrás (1985-1986) e autor do primeiro Plano Básico de Organização da Empresa (1954).

A Petrobrás que completa 70 anos neste 3 de outubro está muito diferente daquela que legou ao Brasil, como presidente da República, Ernesto Geisel. As falácias a respeito da empresa e do produto com que ela trabalha, formaram um véu de fantasias, de conceitos inteiramente divorciados da realidade, que se fica pasmo como alguém ainda pode acreditar nas mídias, até mesmo em teses acadêmicas, financiadas pelos que têm interesse em demolir a empresa e excluir o petróleo das fontes primárias de energia.

O que se pretende neste artigo é lembrar, aos setenta anos da Petrobrás, o que representa o petróleo na sociedade cibernética e termonuclear do século XXI, e como a Petrobrás conseguiu, contra os próprios governos que dela se serviram, dar ao Brasil a autossuficiência tecnológica e o petróleo que o País necessita.

Como relata José Augusto Ribeiro, em “A História da Petrobrás”, sua criação foi cercada de intensas campanhas oposicionistas, que prosseguiram até o suicídio de Getúlio Vargas e continuam ainda hoje. No entanto, a Petrobrás foi a quinta empresa estatal de petróleo criada na América Latina. Antes houve a Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF), na Argentina, em 1922; em 1938, a PEMEX, no México; a chilena Empresa Nacional del Petróleo (ENAP), em 1950, e na Venezuela, a estatização da estadunidense Tropical Oil Company, em 1951.

O PETRÓLEO

Petróleo (óleo e gás natural), sob a análise química, é substância natural constituída por vários compostos orgânicos, especialmente hidrocarbonetos. Alguns dos hidrocarbonetos encontrados no petróleo são: metano (CH4), butano (C4H10) e octano (C8H18). Hidrocarboneto significa a mistura de moléculas de carbono e hidrogênio. O petróleo é menos denso do que a água e nela insolúvel, contém grande quantidade de hidrocarbonetos alifáticos (não apresenta anéis de benzeno em sua estrutura), alicíclicos (apresentam cadeias carbônicas abertas, contendo ou não insaturações) e aromáticos (contêm um anel de benzeno em suas moléculas), e pode incluir ainda componentes metálicos, como níquel e vanádio.

O petróleo é formado pela transformação da matéria orgânica em querogênio, e preservada, no interior de rochas denominadas geradoras, submetidas a pressões e temperaturas, em subsuperfície, por milhões de anos. Destas rochas, ele migra para a superfície se não encontrar, no caminho, barreira selante, rochas que o aprisionem em trapas, que podem ter origem estrutural ou estratigráfica, são os reservatórios, ou seja, rochas que contenham em seus poros o óleo e o gás que constituem o petróleo.

Petróleo, óleo e gás natural, é fonte fóssil e não renovável de energia. Outras fontes fósseis são o carvão mineral e as areias betuminosas. Há sentido político quando se distingue petróleo e gás natural, com o interesse em manter as ainda indispensáveis fósseis como fonte primária de energia. Além destas, e também não renovável, está a energia nuclear, obtida pela fissão dos átomos de urânio. Pesquisa-se a fusão nuclear, só se transformou em fonte de energia em pesquisa laboratorial.

Além dessas, existem as fontes renováveis de energia: hídrica (energia da água dos rios), solar (energia do sol), eólica (energia do vento), biomassa (energia de matéria orgânica), geotérmica (energia do interior da Terra) e oceânica (energia das marés e das ondas).

Quando se opta por determinada fonte de energia verifica-se sua garantia de suprimento; por exemplo, a energia eólica pode não estar disponível por falta de ventos, e a solar não se obtém à noite. Também as tecnologias disponíveis para construção e manutenção dos equipamentos indispensáveis a sua produção e distribuição. Obviamente, o custo das obtenções de cada fonte é importantíssimo pois possibilitará a mais ampla ou mais restrita utilização.

O consumo de energia, conforme as fontes, é bom exemplo dos custos e benefícios que se obtém de cada uma. A fonte mais usada no mundo é o petróleo, 52% – 31% sob a forma líquida (óleo) e 21% de gás natural. Seguem-se, por ordem, o carvão mineral (29%), a biomassa (10%), a nuclear (5%) e a hídrica e outras (2% cada).

No Brasil, a abundância de cursos d’água e a permanente insolação por todo País permitem que a matriz energética seja mais renovável do que a mundial com 25% de biomassa e 12% de hídrica, o petróleo é a mais utilizada fonte, 49% (óleo – 36% e gás natural – 13%). O carvão mineral colabora com 5% e a energia nuclear com 2% e há 7% de diversas outras fontes, como a queima de vegetais e matérias industriais, que revelam nossa regressão desenvolvimentista desde 1980.

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